PROSA DO AGRÁRIA
O Laboratório de Geografia Agrária - Ariovaldo Umbelino de Oliveira realizará no dia 25 de setembro, às 18h, mais uma edição do Prosa na Quinta.
Na oportunidade, Tiago Barbosa de Oliveira apresentará os resultados da sua pesquisa de doutorado intitulada: Retornar ao campo, coletivizar a vida: os desafios das comunas da terra como forma de assentamento idealizada pelo MST .
A atividade será na Sala 4 do Departamento de Geografia da USP e contará com possibilidade de participação online. Para tanto, os interessados em participarem de forma remota devem manifestar interesse pelo e-mail: agraria@usp.br
Serviço:
Prosa na quinta: Retornar ao campo, coletivizar a vida: os desafios das comunas da terra como forma de assentamento idealizada pelo MST
Dia 25 de setembro de 2026, às 18h
Sala 4 do Departamento de Geografia da USP
Híbrido
Detalhes da pesquisa:
Título: Retornar ao campo, coletivizar a vida: os desafios das comunas da terra como forma de assentamento idealizada pelo MST
Resumo:
Esta pesquisa teve como objetivo descrever e analisar os resultados, as contradições e os impasses das comunas da terra no estado de São Paulo como proposta de assentamento idealizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, a partir do início dos anos 2000, com base na experiência do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Comuna da Terra Milton Santos, localizado nos municípios de Americana e Cosmópolis. Essa proposta específica de organização socioterritorial partiu da constatação do MST sobre a necessidade de arregimentação de base nas periferias das cidades, considerando a elevada taxa de urbanização brasileira, bem como a conjuntura política na qual o Movimento reformulou seu ideal de reforma agrária a partir de um projeto popular para o país, de articulação campo-cidade, de enfrentamento ao capitalismo e de construção do socialismo. Essa estratégia política pretendeu constituir assentamentos em áreas de menor extensão, próximas às cidades, visando à facilidade no acesso à infraestrutura e a potenciais mercados. Também se orientou pelo retorno ao campo de trabalhadores urbanos, sobretudo de origem camponesa, processo denominado de recampesinação. As comunas da terra possuem como fundamento a concepção da terra como bem natural comum, assim, foram classificadas em seu maior número como PDS, modalidade de assentamento que possibilitou a Concessão Real de Direito ao Uso (CRDU), e não a titulação individual. Outros fundamentos compreendem a defesa da produção agrícola alternativa aos moldes industrializados, a socialização dos meios de produção (terra e instrumentos de trabalho) e a organização do trabalho de modo coletivo, por meio da formação de associações e cooperativas. Em relação ao total de comunas da terra, constatou-se a formação de comunas em três eixos no estado: um eixo que acompanha a rodovia Anhanguera na região de Campinas e Ribeirão Preto (quatro assentamentos homologados), um eixo metropolitano da capital paulista (dois assentamentos homologados e um acampamento) e um eixo na direção do Vale do Paraíba na região de São José dos Campos (três assentamentos homologados). Na Comuna da Terra Milton Santos, verificou-se a disposição territorial em núcleos familiares de pequenos lotes individuais e de uma área para uso comum, além da criação de duas associações (Acoterra e Irmã Dorothy) em 2007 e de uma cooperativa (Cooperflora) em 2015. A produção dos assentados tem respeitado os fundamentos da agricultura orgânica, certificada por Organizações de Controle Social (OCSs), contudo, isso não ocorre de modo associado e colaborativo. Cada família assentada cultiva individualmente seu próprio lote e a coletivização acontece somente para a comercialização, realizada nas esferas de compras públicas e consumo solidário. A produção individual e a efetivação da coletivização na esfera da comercialização contrapuseram o ideal de socialização dos meios de produção e da terra e colocaram como impasse a limitação dos lotes familiares menores à reprodução camponesa. Outro obstáculo levantado diz respeito à precarização da infraestrutura do assentamento e à ausência de contínuo acompanhamento e assistência técnica. O assentamento, da mesma maneira, perpassou por conflitos territoriais e enfrenta impactos ambientais, considerando sua localização em meio à monocultura canavieira realizada pela Usina Açucareira Ester.
Palavras-chave:
conflitos pela terra; cooperativismo agrícola; movimentos socioterritoriais; recampesinação; reforma agrária.
Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-11062026-121619/pt-br…;

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